Escola em casa? Mas ele tem 3 anos… E agora?

O teu filho não tem telescola mas tem propostas de atividade diárias da escola que te deixam de cabelos em pé? Este texto é para ti.

Viver num tempo de pandemia mundial é difícil. Ser pai e mãe em tempo de pandemia é um desafio jamais visto. Por um lado, é-nos pedido que aproveitemos este tempo para estar com os nossos filhos, para os olhar, decorar, para os sentir na sua plenitude. Por outro lado existe o teletrabalho que nos obriga a concentrar ao mesmo tempo que estamos com crianças barulhentas, energéticas e sedentas de atenção. A acrescentar a isto, muitas das escolas enviam agora trabalhos e “ensinam” à distância, colocando nos ombros dos pais o papel de professor ou de profissional de estudo acompanhado. 

Mas esta dinâmica não é apresentada apenas para mais de 6, o pré-escolar e até a creche de muitas escolas, estão a enviar diariamente propostas de atividade aos pais. E aqui está toda a diferença: são propostas.

Ora, como podem os pais trabalhar, fazer as tarefas de casa, fazer as atividades da escola e, no final, conseguir o tempo de ouro para brincadeira e exploração com os filhos? Parece que o tempo a mais que nos dão, nos tiram de imediato com tanta profissão numa pessoa só.

O teu filho tem menos de 6 anos? Então respira. 

Para já, as atividades enviadas não são de caráter obrigatório, são apenas propostas para orientar os pais nestes tempos, para que as crianças saibam que a escola não os esqueceu e que todos têm saudades de todos. Depois podes fazê-las, se as entenderes fazer, quando for mais oportuno para ti, quando achares mais adequado.

O teu filho não chega ao objetivo final como é pedido na atividade? Não te aflijas, eles têm mais razão do que imaginas. 

A maioria das escolas trabalha as competências das crianças numa cadeira sentada, com fichas e folhas de apoio e com regras muito precisas do que é para fazer. Estando em casa, as crianças vão fazer tudo o que não lhes é permitido na escola: vão riscar as folhas em vez de desenhar, vão pintar as mãos com tinta em vez do trabalho, vão recortar folhas aleatoriamente, no fundo vão explorar todos os materiais antes de os utilizar com o propósito que lhes é proposto. Deixa-os fazer isso, não imaginas as competências que adquirem.

Também as propostas nos induzem novamente para a cadeira e não para o movimento. As escolas poderiam propor como atividade fechar os olhos e ouvir os ruídos da casa (desenvolvem capacidades auditivas e afastam medos do desconhecido), colocar a mão pela janela e sentir a chuva (o tal conhecimento do mundo trabalhado em pleno), ouvir uma história contada pelos pais de quando eram crianças ou ouvir a música de embalar que os pais mais gostavam. Deveria propor que, durante aquela semana, as crianças ajudassem a levantar a mesa ou a cozinhar. Deveria propor dançar até apetecer com os pais as suas músicas favoritas ou dormir uma noite numa tenda improvisada. A escola deveria dar hipótese às crianças de desenvolverem competências com os pais que, na grande maioria, nunca poderão desenvolver na escola.

Mesmo que a escola não proponha, se és pai de uma criança com menos de 6, sente-te no direito de o fazer. E aqui só para nós, se for maior de 6 anos, também.

Patrícia Paulo

Educadora de Infância e Mãe de dois. Alia a experiência à formação e partilha o seu conhecimento com pais e profissionais. Utiliza a escrita como forma de os ajudar a tomar decisões e executar ações conscientes e informadas no âmbito da educação. Autora da página Le Petit Vi

One thought on “Escola em casa? Mas ele tem 3 anos… E agora?

  • Maio 2, 2020 at 7:48 am
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    Adoro o texto . Bonitas palavras e concordo com o que foi escrito .

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