Aposto que cada um de vós não diz sempre a verdade.

De volta a casa! Já tinha saudades! Finalmente! Já não aguentava mais! Uma lufada de ar fresco, já estava entediado! A fénix renasceu! Sim, acho que fizeste um bom negócio!

Na verdade, este artigo só tem este título porque não sabia bem o que escrever, mas… O que é que estas exclamações da lide têm em comum? À exceção da última, cada uma delas poderia ser o título. Mas todas sem exceção partilham algo: ditas por mim soariam a coisa falsa.

Não que não haja bons negócios. Já o disse com toda a sinceridade, mas por vezes temos que ser falsitos porque no fundo vão ficar chateados se dissermos que aquele carro foi demasiado caro e que terá menos tempo de validade do que um queijo fresco fora do frigorífico. No verão. Há quem chame falsidade, eu chamo diplomacia. Ou vocês só dizem verdades? Aproveito para sugerir um filme que surgiu há pouco tempo no Netflix, ainda que seja de 2009: A Invenção da Mentira. Depois de o ver digam-me: tenho ou não razão?

Bem, nisto já queimei um bocado de texto para falar de coisa nenhuma e ainda não fui ao que interessa: o que me traz aqui.
Depois de muito tempo a prometer o seu regresso, a Blogazine voltou para gáudio dos seus leitores e haters. Em relação aos leitores, estimo-os muito porque sem eles cada palavra escrita é em vão. São a nossa força, a nossa motivação. Já em relação aos haters, também estimo. Que se F…

Já passou. Tenho que me recompor e tentar ser sério. No final das contas, neste início de uma nova etapa para a Blogazine eu sou o gajo da opinião, não é? Aquele que tem que ter uma opinião sobre coisas. Que pensa e faz pensar. Aquele que, no fundo, faz algo que nunca fiz de forma premeditada. Pensar de forma a fazer pensar, mais do que pensar apenas para mim.

A crítica faz crescer. Leva-nos a perceber onde podemos melhorar, mas também a ser realistas.

E é esta a nova filosofia da Blogazine. A da partilha. Mas uma partilha que não será unidirecional. Será uma partilha que onde não só partilhamos convosco o que temos como queremos absorver o que vocês têm para partilhar. Num mundo onde os meios de comunicação bombardeiam informação escolhida a dedo e, por vezes, com uma agenda escondida, onde se promove quem lhes dá algo a ganhar, onde o foco está na desgraça porque é o que rende, mas também um mundo onde há desinformação sem direito a contraditório, promovida como uma certeza absoluta.

É necessário, cada vez mais, ser cético. Mas não é cético em relação ao facto. É sê-lo em relação ao que ainda não é um facto. Sejam críticos em relação a tudo. E em relação a nós também. A crítica faz crescer. Leva-nos a perceber onde podemos melhorar, mas também a ser realistas. E encaramos este projecto com realismo. Nesta nova fase não queremos chegar a ser como A ou B. Não queremos ser A ou B. Queremos simplesmente melhorar. Talvez um dia sejamos o C. Mas esse dia não chegou e nem sei quando (ou se) poderá chegar, por isso resta-nos dar o nosso melhor.

Um bem-haja a todos.

Pedro Granja Cortez

Editor desta coisa da Blogazine. Nascido e criado em Coimbra, actualmente erradicado na Bairrada. Odeia que lhe falem de leitão quando diz onde vive. Esta bio é o único local onde escreve sem o AO90, que detesta.

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