Meia década é muito tempo?

Na verdade são só 5 anos, mas não deixa de ser meia década. Se uma década fosse uma vida humana, 5 anos seria o equivalente a uma pessoa ter 40 anos.

Ou então não. 5 anos na verdade são apenas 5 anos. 60 meses. Pode ser muito, pode ser pouco. Tudo depende do ponto de vista.

Para a Blogazine, 5 anos é uma idade assinalável. Já estaria quase a entrar para a escola. Mas com alguma batota: se fosse um filho foram 5 anos onde os quase últimos 2 anos foram passados numa família adotiva. Mas esse filho está de volta para nos dar alegrias. Sobre o regresso da Blogazine já falei antes, portanto vou antes falar do tempo.

O que é que mudou em 5 anos?

Depende. Com ou sem vivência dos mesmos? Se entrasse em coma na altura do lançamento desta revista e acordasse agora, ao abrir um site de notícias, parecia que estava tudo igual, mas um tanto quanto diferente. Eu explico: este confinamento e alteração de modos de vida seria uma novidade impactante, mas a economia estaria com maus indicadores, previsões de aumento da taxa de desemprego e uma nova geração à rasca iminente. Contudo, tal dever-se-ia ao Covid-19, mas talvez não soubesse que a atual situação se devesse à pandemia numa fase inicial. Estive 5 anos em coma, certo?

Nisto tudo, não soube o que se passou nos anteriores 5 anos. Passámos por 3 legislaturas diferentes. Portugal ganhou um campeonato europeu de futebol (esta não espantaria tanto, já estivemos perto de o conseguir em 2004) e atingiu a utopia que é ganhar o Festival da Canção da Eurovisão. Portugal estava no mapa, mais do que nunca. Talvez de forma efémera. Não sabemos. Mas a Madonna já viveu cá e eu nem faria ideia disso. O Reino Unido deixara de fazer parte da UE. Faleceram vários ilustres. A política está descontrolada como nunca. Tudo se polarizou, o “ser-se moderado” parece que já não existe mais. Kizomba já não é moda. O Gin & Tonic também não. Angola já não é o El Dorado. O Snapchat já não é uma cena. Agora ninguém envia SMS. O WhatsApp assumiu essa posição.

E a tecnologia?

Querem que seja polémico? Não mudou grande coisa. Os smartphones têm ecrãs ponta-a-ponta, as câmaras melhor qualidade – mas há 5 anos também tinham uma qualidade boa q.b. para o essencial. Por enquanto ainda estamos no 4G. As velocidades da internet aumentaram, mas não permitem fazer muito mais do que há 5 anos atrás. Há mais carros elétricos, mas já existiam antes, por isso nothing new to see here. Há apps novas. Compiladas com linguagens de programação que já existiam antes. Muda apenas o que fazem, mas não é nada que não pudessem fazer antes. No fundo, as apps reinventaram-se. O Facebook não conseguiu comprar o Snapchat e por isso copiou as suas funcionalidades para o Instagram, tornando-se numa app um pouco diferente. Mas faz algo de novo? Não. Simplesmente se reinventou.

Se entre 2003 e 2008 (5 anos também) houve um salto tecnológico grande, todo o panorama tecnológico e do ciberespaço permanece idêntico excepto num pormenor…

E os blogues?

Exato. É aí que quero chegar. Ser blogger já não é moda. Foram-se embora os bloggers, que apareceram que nem cogumelos, e permaneceram os resistentes do costume. Os verdadeiros. Alguns escrevem mais, outros menos, mas nunca se desligaram. Hoje os instagrammers são os novos bloggers da era dourada. Mas até quando?

No YouTube, por exemplo, já tivemos várias gerações. Talvez estejamos a passar pela 4ª vaga de Youtubers da nova escola. Dos antigos… Alguns permanecem, outros evoluíram e estão agora na TV ou noutro tipo de projetos.

E qual é a nova cena agora? Só malta do Instagram?

Não. E à semelhança dos blogues, que não eram uma coisa nova (de todo) em 2015, também há agora um novo tipo de conteúdo: os podcasts.

Toda a gente agora tem um não é? A Røde agradece, porque nunca vendeu tantos microfones de estúdio como antes, mas será que está para durar? Não sabemos. Eu gosto. Não tenho nenhum nem tenciono criar, mas gosto de ouvir.

Se por um lado não podemos ler um blog e trabalhar ao mesmo tempo (caso o trabalho consista em estar à frente de um PC), por outro podemos trabalhar e ouvir um podcast. Não só é praticável, como por vezes ajuda a produzir mais. É uma companhia, um conforto que encontramos quando nos aparece aquela tarefa chata para fazer.

Também os media mudaram. Mais digital, menos analógico. As notícias e artigos têm que ser dados de forma instantânea. Têm que ser partilháveis. Tecnologicamente, é esta a maior mudança. Não se vê, mas sente-se.

Imagem: Miguel Á. Padriñán

Pedro Granja Cortez

Editor desta coisa da Blogazine. Nascido e criado em Coimbra, actualmente erradicado na Bairrada. Odeia que lhe falem de leitão quando diz onde vive. Esta bio é o único local onde escreve sem o AO90, que detesta.

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