A arte de ser mãe em plena pandemia

Se achavas que era difícil ser mãe, não imaginaste o quão difícil poderia “ser mãe numa pandemia”…

Se achavas que seria difícil ser mãe, não imaginaste o quão difícil poderia ser “ser mãe numa pandemia”…

Já muitos escreveram sobre as dificuldades que surgiram com a fase que atravessamos. O confinamento, a quebra de rotinas, a falta de ar fresco, o aumento da carga horária de trabalho e escola, o acumular de tarefas domésticas que não têm fim… Tudo o que há à nossa volta torna-se num motivo extra para nos testar.

Mas, se pararmos para pensar bem, esta será só mais uma fase. Exigente para nós, muito exigente, mas igualmente exigente para as nossas crianças. Perderam a sua rotina, o contacto com os amiguinhos, as saídas ao jardim ou as idas ao parque infantil. Olham pela janela e não percebem ao certo o porquê de não poderem sair de casa. Algumas compreendem que é perigoso, que há um vírus “à solta” por aí. Ganham medo. Ganham medo de sair. Deixam de pedir para ir à rua, sentem-se meio perdidas dentro de casa. As que voltam à “escola”, agora numa versão completamente nova, fazem-no de forma tão diferente. Compreendem que precisam estudar, mas não o porquê de tanta obrigação para o fazer. Há um reboliço nas suas cabeças.

No meio de tudo isto, é normal que elas queiram testar novas teorias, criar novas experiências, descobrir algo novo dentro de casa… É normal que haja dias em que se sintam mais aborrecidas, menos participativas… Por isso, pais e mães tenham paciência. Por muito exigente que esta fase seja para nós, precisamos de procurar energia extra para as apoiar, para lhes transmitir segurança dentro do único espaço onde estão verdadeiramente em segurança.

Nesta altura, já muitas famílias testaram diferentes rotinas, algumas já desistiram de uma ou outra responsabilidade, outras tentam todos os dias uma solução melhor.

De facto, a gestão da rotina neste período é tão crucial quanto complexa. Há que viver um dia de cada vez, simplificar o que for possível e cumprir apenas o que a nossa consciência e vontade permitir.

Não há fórmulas mágicas capazes de nos permitir viver numa bolha de paz e amor eterno, enquanto o mundo lá fora está a cair. Mas, como responsáveis e cuidadores, como aqueles que damos a vida pelos nossos, precisamos de tentar todos os dias dar o nosso melhor.

Recorram a todas as vossas forças mas tenham uma paciência redobrada. Ignorem a roupa acumulada, a loiça por lavar, ignorem tudo, mas não ignorem os vossos filhos. Façam uma pausa. Sentem-se com eles, brinquem, cantem, leiam, façam cócegas ou simplesmente companhia,… Brinquem tudo o que puderem, abracem-nos, digam-lhes o quanto os amam. Tudo irá passar. E esta oportunidade de os aproveitar 24 sobre 24 horas, também.

Não se deixem desanimar se um, dois ou três dias não foram tão bons, se as expectativas saíram “furadas”. Acreditem que cada novo dia é uma nova oportunidade de tentar o melhor. Por eles. Mas também por nós. Para que possamos todos terminar esta fase com uma ligação ainda mais especial aos nossos.

Vamos aproveitar o momento, o aqui e agora. O mais difícil está para chegar. Chegará quando os tivermos que deixar sair à rua e não soubermos se é seguro. A promessa, outrora feita, de que os iríamos proteger para sempre, caiu por terra. Nós queremos protegê-los, mas sabemos que não depende só de nós. Queremos protegê-los de tudo, mas nem tudo desaparece apenas com amor. Por isso, vamos aproveitar o que temos. Abraçar, aproveitar que o resto do mundo parou e viver o presente. Aproveitar o que temos, neste momento, à nossa frente. Não vamos desanimar, tudo irá melhorar.

Luísa Felgueiras

Mãe de dois, o Gabriel e a Estrela. Terapeuta Ocupacional de profissão, com exercício e formação nas áreas da pediatria e saúde mental. Blogger nos tempos livres, autora do Blog da mamã Lu. A escrita faz parte da sua vida desde que lhe deram um diário e um lápis para a mão.

2 thoughts on “A arte de ser mãe em plena pandemia

  • Maio 5, 2020 at 6:02 pm
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    Gostei muito do artigo. É uma reflexão que chama atenção para a importância de acompanhar os filhos. Hoje em dia vive-se numa correria e não se disponibiliza o tempo suficiente para os filhos nem para a família. É preciso apreciar cada momento para sentirmos a felicidade.

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  • Maio 10, 2020 at 9:59 pm
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    Obrigada pela reflexão 🙂

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