Desfralde: Como fazê-lo de forma tranquila e natural?

O desfralde é, para muitos pais, um processo que lhes causa preocupação e ansiedade, mas não há razões para te sentires assim.
Temos dicas que te podem ajudar.

O maior segredo para que o desfralde seja calmo e eficiente é compreender que, durante o processo, não é o adulto que tira as fraldas, é a criança que deixa de as usar. Ao cumprires este princípio, estás a respeitar a criança e o seu ritmo. A partir daí, tudo é muito mais intuitivo.

Em primeiro lugar, a criança deverá ser lida para que se inicie o desfralde na hora certa.

Se a criança frequenta a creche, talvez até sejam os profissionais a chamar à atenção dos pais por estarem mais habituados e com maior sensibilidade aos sinais que indicam que a criança está preparada. Neste caso, o desfralde deve ser sempre efetuado em conjunto com a escola através de muito diálogo, troca de ideias e estratégias, para que a criança sinta que o trabalho da escola é um prolongamento do trabalho de casa.
É um facto que no verão, é mais fácil para os pais secar a roupa e a criança tem menos frio aquando dos seus “acidentes de percurso”. Também é verdade que, a partir dos 18 meses é habitual ser mais fácil de desfraldar, quanto mais não seja por ter mais destreza na musculatura inferior (senta-se sem qualquer dificuldade, sobe e desce os degraus, etc.) Mas não! Não é a estação do ano nem a sua idade que define o seu timing.

Então, quais os sinais que indicam que a criança está preparada?

Quando para ela for natural o ritual da casa de banho.
Inicialmente irás notar que o teu filho se interessa por pormenores como a descarga do autoclismo ou em baixar e levantar as calças. Depois, ou simultaneamente, começa a indicar quando tem a fralda suja. O passo seguinte é quando indica estar a fazer xixi ou cocó e finalmente começará a informar que irá fazer.
É nessa fase que devemos intervir.

Deixamos-te com 7 dicas que podem ajudar:

1 – Compra materiais que confiram autonomia à criança 

Na escola existem sanitas ao nível deles, em casa podemos ter redutores de sanita e um bacio (no caso da sanita assustar de alguma forma a criança). No caso de utilizarmos o redutor, devemos ter um banco para que a criança consiga aceder à sanita sozinha.
Compra as cuecas com a criança para que fique confortável ao usá-las e não considere um objeto estranho. Por fim, deixa desde as cuecas, ao bacio, um cesto para a roupa suja e outro com roupa lavada ao alcance da criança, para que ela seja sempre parte interveniente no processo e o mais autónoma possível.


2 – Vai por fases e sem colocares expectativas e metas

Talvez inicialmente faça sentido não retirar logo a fralda e começar a colocar a criança na sanita ou bacio só para ela experienciar. Se se sentir confortável e a fralda estiver na maior parte das vezes seca, então passa para as cuecas. Depois deixa que tudo aconteça naturalmente e não coloques expectativas para que não existam ansiedades desnecessárias. Cada criança com o seu ritmo.

3 – Descomplica e torna tudo prático

Em sala, é habitual pedir-se aos pais que enviem calçado tipo Crocs, para que nos “acidentes de percurso” seja lavar, secar e colocar de novo nos pés. Em casa essa prática também se torna mais facilitadora. Também a roupa deve ser confortável e leve. Por exemplo: as calças com elástico na cintura permitem que a criança possa vesti-las e despi-las sozinha.

4 – Explicar sempre à criança o que vamos fazer e como vamos fazer, incentivando à autonomia

Quando chegar a hora diz à criança que vais com ela à casa de banho. Se ela não quiser não insistas. Se ela fizer xixi sem ser no local esperado explica como podem limpar o chão, que vai ter de ser limpa e trocada e deixa-a colaborar sempre que possível. Quem vai deixar de usar as fraldas vai ser a criança, por isso ela deve sentir-se respeitada e responsável pelo que acontece ao longo do processo.

5 –  Toma atenção aos horários em que o teu filho faz as suas necessidades

Existem crianças que fazem cocó com a pontualidade britânica. Isso facilita muito o processo porque sabemos que, ao colocá-la àquela hora no bacio ou sanita, será uma tarefa bem sucedida. Quanto ao xixi, a forma mais fácil é levá-la em intervalos regulares.

6 – Não repreender nem elogiar em demasia

Repreender é estar a mostrar à criança que não estamos dispostos a dar-lhe o tempo que precisa e que não somos tolerantes aos erros. Já elogiar em demasia pode fazer com que a criança se sinta envergonhada ou dê demasiada importância ao processo. Não esquecer: o objetivo é que seja natural, sem pressões.

7 – Colaborar com a escola

Tanto os cuidadores como os educadores de infância e auxiliares são parte importante no desfralde. São eles que orientam a criança por isso, esta só tem a ganhar se os pais e a escola estiverem em sintonia. Leva as mudas de roupa que te pedirem, dá feedbacks, pergunta, interessa-te e ouve. O teu filho sente-se assim mais seguro e confiante neste novo passo.

Agora que já tens as ferramentas, ao trabalho.

Patrícia Paulo

Educadora de Infância e Mãe de dois. Alia a experiência à formação e partilha o seu conhecimento com pais e profissionais. Utiliza a escrita como forma de os ajudar a tomar decisões e executar ações conscientes e informadas no âmbito da educação. Autora da página Le Petit Vi

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