Solários: Os nossos maiores inimigos?

Na ausência de sol, muitas pessoas optam por frequentar solários. Mas será que esta é uma prática que não acarreta problemas para a nossa saúde?

Durante os meses em que o Sol não está tão visível ou quando as pessoas não têm tanto tempo disponível para estarem expostas ao Sol, é normal existir uma maior afluência a solários a fim de obter o bronzeado pretendido, uma vez que existem pessoas que gostam de manter o tom canela e dourado ao longo do ano inteiro e outros gostam de o preservar o maior número de dias possível.

Existem vários solários espalhados pelo pais, com uma gama variadíssima de preços e com campanhas promocionais bastante apelativas para o consumidor, com o intuito de o cativar a frequentar os mesmos e a fazer uma ou mais sessões.

Solários: Os Nossos Maiores Inimigos?
Serão os solários nossos amigos?

Podemos começar por dizer que uma ida ao solário é um erro. Sim, um erro. Por mais histórias que possam ouvir de pessoas que frequentam solários e que “nunca lhes aconteceu” alguma coisa”, não acreditem! O foto-dano é algo que é cumulativo, pelo que, no imediato, não há “estragos”, mas, mais tarde, as consequências aparecem.

Senão vejamos: de acordo com o The Cancer Research UK, a probabilidade de desenvolver cancro de pele em quem frequenta solários é seis vezes maior do que quem apanha sol nas horas mais perigosas! Para além disso, alguns estudos têm demonstrado uma relação direta entre o envelhecimento prematuro da pele e a utilização de solários. Porquê? Devido ao tipo de raios ultravioleta utilizados neste método de bronzeamento artificial.

Quais os raios emitidos nos solários?

Os solários usam um dispositivo que emite raios ultravioleta para produzir um bronzeado cosmético. A luz ultravioleta produz raios UVA (cerca de 95-99%) e poucos ou nenhuns raios UVB (cerca de 1-5%), enquanto o sol produz os dois tipos de raios UV, com os UVA a representar 90-95% e os UVB 5-10%.

Quais os verdadeiros riscos associados à utilização de solários?

O problema é que os dois tipos de raios UV podem ter efeitos potencialmente perigosos na nossa pele. Os UVA, mais produzidos pelos solários, podem, indiretamente, causar danos oxidativos e stress e, como têm comprimentos de onda maiores do que os UVB, podem penetrar mais profundamente na nossa pele. Para além disto, uma vez que os raios UVA não produzem vitamina D, não existem benefícios.

Mas há mais!

Apesar de não existir forma de prever exatamente como é que os riscos do solário se vão manifestar, especialmente quando as pessoas começam a frequentar solários desde novas e têm a pele “pálida”, não é, de todo, recomendado pelos médicos.

Para “agravar” esta situação, as “camas” da maior parte dos solários abrigam uma flora microbiana substancial e estas bactérias podem ser prejudiciais para quem sofre de dermatite atópica ou outros problemas de pele.

Não adianta querer ter um tom esteticamente agradável e apelativo, porque isso é possível de outras formas – jet bronze, antobronzeadores ou maquilhagem, por exemplo. É necessário pensar nos malefícios para a nossa pele e, bem mais importante, para a nossa saúde, porque esta é mais importante que uma cor dourada na nossa pele.

Haverá, então, alguma indicação positiva para a utilização de solários?

Sim. Em casos de psoríase em que a radiação ultravioleta traz benefícios para esta patologia de pele. Como podem imaginar, nestes casos, a exposição é controlada e prescrita por um médico dermatologista, de acordo com cada caso e com cada paciente.

Este controlo passa não só pela duração de cada sessão, como também do número de sessões a efectuar.

E por aí? Costumas frequentar solários? Já conhecias os seus perigos?

Ricardo Rodrigues

Farmacêutico, pós-graduado em Dermatocosmetologia, autor do blogue "O Pinguim Sem Asas" e natural da cidade do Porto. Um apaixonado por cosméticos que acredita que toda a gente tem potencial para ter uma pele incrível e saudável!

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