Como preparar o teu filho para o “bicho papão” chamado MATEMÁTICA

Quando falamos de matemática é comum haver um “prepara-te” que antecipa o horror que é “não ser bom a matemática”. Como fugir deste destino?

É comum os pais quererem que no primeiro ano do 1ºciclo a criança consiga contar até 100, fazer contas de somar e subtrair (pelo menos) e que tenha excelentes a matemática. Porque se no 1ºciclo eles não têm as bases é o fim da picada, nunca mais encarreiram…


Falemos então de 2 essenciais factos sobre a matemática:
1. Até podemos ser a pessoa com maior aptidão a matemática, mas já estamos pré destinados a odiá-la pela sociedade, levando-nos inconscientemente a temê-la. Somos levados a desistir antes de tentar e por isso precisamos de mais amigos da matemática.
2. As bases da matemática não começam no 1ºciclo nem se resumem aos grafismos 2+2=4.

E é claro que é papel da escola trabalhar esta área até aos 6 anos, mas em casa podemos e devemos fazê-lo, porque a matemática está em muitas das coisas que fazemos todos os dias como rotinas.

Assim sendo aqui estão dicas de como trabalhar a matemática em casa:
– Arrumar os brinquedos: ao arrumarmos uma sala cheia de brinquedos, teremos de separá-los (formação de conjuntos), de colocá-los nos locais próprios (noção espacial essencial para, por exemplo, imaginar situações abstratas em problemas), de encontrar forma de os colocar em determinado lugar de forma a que tudo caiba (tendo noção do maior e menor e trabalhando de forma primária a medição) e muitos outros aspetos matemáticos.

– Deixar que a criança descubra como resolver um problema: quando uma criança é deparada com um jogo novo, uma peça do Lego que não encaixa ou uma boneca que não consegue despir, a nossa tendência natural é, muitas vezes, fazer por ela e não ajudá-la a descobrir por si. É essencial dar espaço à criança para que tente sozinha e, caso não consiga, orientar de forma a que seja ela a ir de encontro à resolução do problema, mesmo que isso implique uma ligeira frustração inicial. Não vamos esquecer que começamos desde cedo, nos tais testes, a ter uma parte que se destina à resolução de problemas.

– Cozinhar: outra das tarefas que mais desenvolve competências e esta é habitualmente muito prazerosa desde a primeira vez. Ao cozinhar, o teu filho desenvolve competências como a contagem (número de ovos necessários), a medição (volume, peso, capacidade) e a seriação (sequência de passos).

– Fazer a lista das compras: também aqui a contagem é desenvolvida em grande escala e a representação gráfica do número pode também ser feita com os mais crescidos, registando, por exemplo, quantos iogurtes queremos comprar. Se ainda não sabem escrever, deixa que desenhem cada elemento a comprar.

– Arrumar a louça da máquina: aqui trabalhamos essencialmente a formação de conjuntos, mas também podemos olhar para a tarefa como um jogo de encaixe, porque nem sempre é fácil empilhar os copos de forma a caber no armário ou colocar as colheres direitas na sua divisória.

– Completar os pares das meias: para ti uma tarefa entediante, para ele um desafio. O teu filho terá de comparar cores, formas e tamanhos para conseguir encontrar o par da meia que lhe apresentas, o que lhe desenvolverá capacidade de reconhecimento de formas e padrões, bem como a resolução de problemas.

– Explorar/observar um objeto: senta-te e explora um objeto que lhe demonstre interesse, pode ser qualquer um. Reparem na sua forma, cor, tamanho, textura, a que grupo de brinquedos pertence, quantos existem em casa e permite-te verificar quantas noções matemáticas esta atividade envolve. Se o fizeres com frequência, o teu filho começará a fazê-lo de forma inconsciente.

– Brincar livremente: a mais completa e distinta atividade, a que desenvolve mais competências de todas as áreas. Da noção da matemática temos a seriação, resolução de problemas, noção de número entre muitos outros.

Nota que qualquer um dos pontos acima são sugestões. Não deverão ser imposições nem são atividades que se enquadram em todos os contextos familiares. Assim, escolhe as que fazem mais sentido para o teu filho.
Não é garantido que, depois disto, o teu filho seja um matemático, mas é bem provável que olhe para a matemática como uma amiga do dia a dia e não como um bicho de 7 cabeças.

Patrícia Paulo

Educadora de Infância e Mãe de dois. Alia a experiência à formação e partilha o seu conhecimento com pais e profissionais. Utiliza a escrita como forma de os ajudar a tomar decisões e executar ações conscientes e informadas no âmbito da educação. Autora da página Le Petit Vi

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *