Bruno Nogueira ultrapassou todos os limites

Não é possível descrever tudo o que senti nesta sexta feira. Estamos em meados de maio e é Natal. Havia pessoas no Marquês sem ter o futebol como pretexto e outdoors obscenos nas ruas.

Se estou revoltado? Não, estou apenas incrédulo. Ainda não era meia-noite e ouço um berro na sala. Tirei os phones e escutei com mais atenção, não fosse um qualquer bicho rastejante a meter medo. Pediam-me para ver o direto do Bruno Nogueira. Abri um novo separador e comecei a ver. Acho que era inevitável não nos termos posto na pele do Bruno em momento algum do direto. Como é que alguém se sente ao ver que consegue mobilizar uma cidade inteira enquanto de norte a sul mais de 170 mil pessoas assistiam a tudo no Instagram?

Confesso que senti uma espécie de orgulho. E acho que qualquer um dos que assistiu também. Não orgulho em mim, que pouco ou nada contribui para que aquilo acontecesse, mas orgulho em ver que um humorista em Portugal conseguia ter naquele momento um poder tão grande. Ele fez companhia e parte da rotina de muita gente nos últimos tempos e este final do Como é que o Bicho Mexe não foi mais do que uma volta triunfal. E foi bem merecida.

O conteúdo vs informação

Muita gente gostaria de chegar ao estrelato, mas só os que sabem distinguir conteúdo de informação conseguem (isto, claro, se estivermos a falar de um comum underdog). Informação não é apenas mostrar que achamos isto ou que aconteceu aquilo. Informação também é sentimento.

Por outro lado temos o conteúdo. Este não é mais do que uma cápsula onde está a informação. É sempre bonito abrir um perfil do Instagram e ver fotos bonitas, mas se elas não nos passam informação relevante será que vamos mesmo ter interesse? O mesmo acontece no Twitter: apesar de se tratar de uma rede social claramente voltada para a informação, será que vamos ter interesse num tweet que não nos diga nada?

Como já disse, informação é sentimento. Podemos ver fotos de foodporn que nos digam coisa nenhuma, mas se elas nos transmitirem um sentimento de conforto por ver a materialização de algo que queremos consumir então podemos passar umas boas horas só a ver isso, porque neste caso o sentimento acaba por ser informação. É a utilidade que retiramos daquele conteúdo. Se para uns a utilidade é ver aquele prato com um aspeto divinal, por outro houve quem encontrasse utilidade no sentimento de conforto transmitido pelo Bruno Nogueira.

Ele começou tudo isto para ajudar a si próprio, não sabendo que iria também ajudar outros na mesma situação que ele. Outros tantos chegaram, porque viam que havia ali algo. De um momento para o outro, um “programa” gravado com a câmara da frente de um iPhone transmitido para uma rede social batia facilmente as audiências da maioria dos canais de televisão. O Bruno Nogueira conseguiu atingir tudo com algo tão simples como isto. E neste Natal diferente conseguiu ter toda a gente rendida a ele sem nunca ter publicitado nada ou ter feito algo só porque era moda.

Pedro Granja Cortez

Editor desta coisa da Blogazine. Nascido e criado em Coimbra, actualmente erradicado na Bairrada. Odeia que lhe falem de leitão quando diz onde vive. Esta bio é o único local onde escreve sem o AO90, que detesta.

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