Preparar a casa para o bebé?

O meu filho começou a rastejar/ gatinhar… Será que a minha casa é segura? Preciso de comprar proteções?

Desde a gravidez que se começam a fazer alterações em casa. Todos os filhos requerem mudanças mas o primeiro ainda mais. A primeira gravidez é a transição de uma casa de adultos para uma casa com crianças. Adultos não precisam de berços, camas de grades ou montessorianas.

Há o quarto do bebé para preparar, um berço para colocar no quarto dos pais, brinquedos, muda fraldas e toda uma lista de acessórios de que apenas os bebés precisam.

O bebé nasce e as alterações vão surgindo consoante a necessidade dos pais, porque da teoria à prática vai alguma distância e nem sempre o local inicial do muda fraldas permanece o mesmo quando as fraldas são realmente mudadas. A almofada mais bonita pode não ser a mais confortável, a amamentação pode não correr como o desejado e podemos precisar de biberões.

Tudo isto é normal: os pais idealizam um cenário mas pode haver alterações após o nascimento, cada família terá que perceber de que forma funciona melhor em sua casa.

A verdade é que tudo volta a mudar com o crescimento do bebé. Se inicialmente pouco se mexe, com o passar dos meses começará a fazê-lo e a ter necessidade de mais espaço. De repente temos um bebé que se vira, depois rasteja e/ou gatinha, mais tarde anda.

Com estas evoluções em que o bebé se desloca sozinha começam também as escolhas dos pais: devo proteger as tomadas de eletricidade? Compro protetores para as esquinas das mesas? Procuro protetores para portas, armários e gavetas?

A verdade é que numa rápida pesquisa pelo gigante mundo virtual encontramos de tudo um pouco: desde protetores que tapam as tomadas tipo tampa, aos que ficam fixos e só precisam de ser rodados; triângulos de silicone para as esquinas das mesas (com todo o tipo de boneco que possam imaginar); protetores coloridos e com bonecos que impedem as portas de fechar para o bebé não se entalar, outros que não permitem abrir armários nem gavetas sem um “truque de adulto”. Se quisermos, podemos tornar a nossa casa num verdadeiro paraíso anti-acidentes-infantis!

E se, numa primeira análise, esta parece ser a solução ideal – porque os nossos bebés são tudo para nós e o que mais queremos é que não se magoem – uma pequena reflexão demonstra-nos exatamente o contrário.
A vida de um bebé não se resume à sua própria casa (não vamos referir creches, porque aí tudo se organiza de uma forma diferente). Se tornarmos a nossa casa num local anti perigos, estaremos a educar um bebé para um mundo perfeito, onde não se magoa.

No entanto, sabemos que a realidade não é assim. As casa não estão todas protegidas, os locais públicos também não. Se a nossa casa for um local totalmente protegido, o nosso bebé não terá noção da existência de perigos:

  • Se em casa empurrar uma porta à vontade porque ela não fecha, a primeira vez que empurrar uma porta fora da sua casa não terá o devido cuidado porque fará como está habituado;
  • Se em casa colocar os dedos nas tomadas e não se magoar, fora de casa fará o mesmo porque não saberá que é perigoso;
  • Se em casa não se magoa quando bate numa esquina de mesa, fora de casa não se preocupará em desviar-se porque não terá noção de que se vai magoar;
  • Se em casa se agarrar a armários e gavetas porque não abrem, fora de casa poderá fazer o mesmo e, como abrem, o mais provável é partir para a fase de exploração e mexer em objetos perigosos porque nunca antes os viu e não sabe de que se trata.

Então, qual poderá ser a solução?

Estar atento e explicar onde pode e não pode mexer!

Podemos afastar uma ou outra mesa para dar mais espaço ao bebé mas é importante que saiba da existência de perigos. Que se saiba desviar e evitar os perigos para que o faça sempre que os vir, dentro ou fora da sua própria casa.

É possível ter um armário com objetos cortantes ou tóxicos ao alcance. Facilitará se, no armário do lado, tivermos os tupperwares e deixarmos que mexa lá (até podemos permitir que os desarrume e tentar que os arrume no final, começando por ter a nossa ajuda como exemplo).

Desta forma explicamos ao nosso bebé que num armário pode mexer mas no outro não.
Se tivermos móveis de gavetas para os talheres poderemos deixá-los na gaveta mais alta e adaptar uma das mais baixas com brinquedos. Assim é possível dizer-lhe que só poderá mexer numa, porque nas outras estão objetos com os quais se pode magoar.

Tudo isto sem esconder nada do bebé! Abrir, mostrar e explicar onde todos podem mexer e onde só é permitido mexer aos pais/ adultos da casa.

Isto não significa que o possamos deixar sozinho na cozinha sem que seja perigoso mas ajuda a que o bebé sinta que nem tudo lhe é proibido naquela divisão da casa. Ajudará também na sua autonomia.

A ideia é que não tenhamos que lhe dizer apenas “não podes mexer aí” sempre que se aproximar de algum armário/ gaveta mas sim “não podes mexer nesse armário, mexe neste”. Ao dar alternativa não estamos a negar exploração e movimento ao bebé, estamos apenas a direcionar a sua exploração noutro sentido, afastando-o do perigo.

Desta forma, estaremos também a mostrar que confiamos nele, que não tiramos os perigos do seu alcance porque sabemos que mesmo estando fisicamente ao seu alcance, confiamos que não lhes irá mexer!

Se o bebé abrir o armário dos produtos de limpeza, por exemplo, ajudará não irmos a correr fechar mas pedir-lhe que o faça. Relembrar que não pode mexer naquele armário e que nos faça o favor de o fechar (tudo isto mantendo a calma, mostrando que confiamos que vai seguir o nosso pedido).

Quando for a casa de outra pessoa, perceberá quando lhe for dito que ali não pode mexer, porque em casa os pais confiam nele e deixam mexer onde pode portanto, se dizem que não, perceberá que é porque não pode mesmo.
Desde cedo que os bebés percebem o que lhes dizemos.

Podem não compreender exatamente as nossas palavras mas compreendem pelo nosso tom de voz quando estão a ser elogiados ou repreendidos.

Este texto remete-nos para a proteção (ou não) dos perigos de uma casa mas não poderia terminar sem o reforço de que a explicação dos perigos – em vez da sua ocultação através de proteções – demonstra confiança do adulto no bebé e, como consequência, ajuda no seu desenvolvimento e no desenvolvimento da sua autonomia.

Qual a vossa experiência com este assunto?

Carolina Pereira

Mãe de uma princesa nascida em 2017 @magiaempaginas - conto histórias em #unicontos Educadora de infância e professora de 1º ceb

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