Clássico do mês: Fahrenheit 451

Como seria se os bombeiros ateassem fogo em vez de apagarem? Falamos-te de Fahrenheit 451.

Fahrenheit 451 foi escrito em 1959 e mostra a visão distópica de um futuro distante. Contudo, hoje, essa quimera aproxima-se da nossa realidade, pelo menos a nível de calendário. O romance retrata uma sociedade na qual a tecnologia impera, os carros voam a velocidades sónicas, os livros são proibidos e as pessoas têm o pensamento crítico reprimido, sendo formatadas para não ter tempo para questionar a vida e o que se passa no mundo.

A história

Guy Montag, o personagem principal, é bom bombeiro, porém, na realidade apresentada esta profissão é sinónimo de queimar livros, sendo que 451 é a temperatura, em graus Fahrenheit, da queima do papel (equivalente a 233 graus Celsius). Seguiu o ofício do pai e o avô e, para si, a proibição e destruição de livros é o mais correto. Pelo menos até ao dia em que, por impulso e à revelia do seu trabalho, esconde um livro por baixo da roupa e leva-o para casa. Depois outro e outro.

Na mesma altura, conhece Clarisse, uma jovem curiosa, animada e impulsiva. Os livros e a rebeldia da nova amiga, incitam Montag começar a ver o mundo de maneira diferente: começa a pensar nas razões e nos porquês de o mundo ser como é. Começa a achar tudo supérfluo. começou a pensar por si mesmo e questionar a sociedade suprimida em que vivia

Um livro que faz pensar

A ficção científica não é um género que leia habitualmente que me cative, porém, o livro de Ray Bradbury livro revelou-se uma boa surpresa. A narrativa prende-nos na ânsia de saber o que aconteceria a Montag e todas as distopias fazem pensar em nós, enquanto pessoas e comunidade.

Foram muitas as questões que surgiram, durante e depois da leitura. Sobre o mundo em que vivemos. Sobre como os livros estão a ser descartados e trocados por séries, filmes e reallity shows, aos quais temos acesso facilitado seja pela televisão, computador ou telemóvel. Sobre como a memória nos começa a falhar cada vez mais cedo e concentração se evapora cada vez mais depressa. Sobre a atualidade. Sobre o futuro. Sobre a liberdade. Sobre o pensamento ser o que temos de mais pessoal e único, enquanto consegue ser controlado e dominado pela realidade que nos rodeia, seja pelas pessoas com quem convivemos, seja pelos media que consumidos.

Já leste este livro? Não há desculpa.

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