Castigo ou consequência

Sabes a diferença entre o castigo e a consequência? E sabes quando e como deves aplicá-los? A Blogazine explica-te.

Um castigo é algo que implica uma punição “se te portares mal não vamos ao parque”. Uma consequência é, tal como o nome indica, a consequência que resulta do que a criança está a fazer “desarrumaste os brinquedos? Agora que já brincaste tens que arrumar”.

Crianças pequenas vivem o momento, não antecipam o futuro e nem sempre se lembram do passado. Uma criança de um ano já sabe o que é ir ao parque e que gosta de o fazer. Não adianta dizer-lhe que se não obedecer não irá porque não terá a noção do que vai perder.

Essa mesma criança percebe perfeitamente o pedido “agora vamos arrumar”, algo que lhe estamos a pedir no momento. Perceber não significa que obedeça sempre, significa apenas que compreende a mensagem – não adianta antecipar o pedido assim que desarruma (depois arrumas), temos que pedir apenas no momento.

Apesar das diferenças, tanto os castigos como as consequências obrigam a que os pais pensem um pouco antes de falar. Não abona nada a nosso favor advertir se não tivermos real intenção de colocar em prática. Vejamos:

Ameaçar só o que podemos e queremos cumprir:
Quantas vezes damos por nós, zangados, a dizer algo do género “se voltas a bater com isso tiro-to das mãos” ?
E depois, se a criança repetir, tiramos mesmo? É importante ser consistente e coerente. Temos que ter intenção de aplicar a consequência que estamos a dizer.

– Pensar nas consequências que isso trará sobre nós próprios:
Podemos retirar o tablet e/ou outro tipo de jogos? Podemos, mas temos que pensar se essa solução será realmente benéfica para nós. Talvez nos obrigue a arranjar outra forma de ter a criança entretida em determinados momentos que nos são convenientes. Imaginemos uma família onde um dos pais chega mais tarde e o outro, sozinho com a criança, tem que cozinhar. Se calhar é mais seguro a criança estar sentada com um jogo (eletrónico ou não) do que andar a puxar pelo adulto, perto do fogão.

– Adequar as penalizações à perceção da criança
A criança não se quer sentar na cadeira do carro e o destino é o parque infantil. Ameaçamos que se não se sentar não saímos para o parque. A criança não se senta e nós não vamos ao parque. Parece perfeito não é? Ameaçámos e cumprimos, não cedemos.

O problema é que a criança não vai compreender o que não fez: não foi ao parque.

O seu cérebro vai processar o que realmente aconteceu: fez birra para se sentar na cadeirinha e fizeram-lhe a vontade porque, afinal, não se sentou e voltou para casa. Não foi ao parque mas, assim que entrou novamente em casa, foi brincar com outra coisa qualquer e não mais se lembrou que lhe tinham falado no parque. (Crianças com 2/3 anos já têm noção do que perdem numa situação destas mas também já sabem que não podem circular de carro sem que se sentem na sua cadeira com o cinto colocado).

A principal diferença entre o castigo e a consequência é que consequências são exatamente o que nós, adultos, fazemos sem nos apercebermos.

Para um adulto é natural arrumar o que desarrumou. O adulto sabe perfeitamente que os objetos não voltam para o seu lugar sozinhos. Se formos nós a arrumar os brinquedos dos nossos filhos, que mensagem lhes estaremos a passar? Que não precisam de arrumar (e começamos desde cedo a habituá-los a que assumimos as suas “obrigações”).

A criança está a comer, não quer mais e atira para o chão. Se atirou para o chão, terá que ir apanhar. Se um adulto preguiçoso lançar um papel para o lixo e este cair fora não terá que fazer o mesmo?

Uma consequência pode não estar relacionada com o bom ou mau comportamento, punição ou recompensa. Quando a criança não quer arrumar, o adulto poderá começar (dando o exemplo) e pedir-lhe ajuda. Não esperem que os brinquedos fiquem direitinhos e ordenados, esperem que fiquem num lugar – famílias com quartos super organizados vão com calma, os legos podem ir parar ao local dos carrinhos – não queiramos tudo à primeira, o importante é que não fiquem espalhados pelo chão.

Como funciona em vossa casa? Quem arruma os brinquedos? É a criança que apanha do chão o que deixa cair? Ora contem-nos lá.

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