Melanoma: Tudo o que precisas de saber

O melanoma é o tipo de cancro de pele com maior mortalidade. Queres saber tudo sobre ele?

O cancro da pele é o mais frequente da raça humana e tem origem nas células que constituem o tegumento cutâneo. Existem muitos tipos de cancro de pele, mas, sucintamente, podemos dividir em dois grandes grupos:

Melanoma Maligno

Este tipo de melanoma, doença do foro oncológico cada vez mais frequente e potencialmente letal, tem origem nas células do sistema de pigmentação da pele, ou seja, nos melanócitos – as células que produzem o bronzeado após a exposição solar.

Tudo o que precisas de saber sobre o melanoma!

É um dos tipos de cancro mais graves e as hipóteses de sobrevivência dependem, sobretudo, de um diagnóstico e tratamento adequados e precoces. Um diagnóstico e uma excisão cirúrgica precoce em melanomas na sua fase inicial de invasão são geralmente curativos, na maioria dos pacientes.

O principal desafio que os profissionais de saúde enfrentam é a deteção e excisão precoce do melanoma, sendo o fator de prognóstico mais importante a espessura do tumor. Mesmo com os avanços no campo da quimioterapia e imunoterapia, o sucesso no tratamento do melanoma no seu estadio avançado continua limitado e o prognóstico da sua forma metastizada é muito reservado.

Tudo o que precisas de saber sobre o melanoma!
Carcinoma basocelular

Não melanoma

Este grupo inclui o carcinoma basocelular, ou basalioma, e o carcinoma espinocelular. São habitualmente menos perigosos, mas podem ter mau prognóstico se não forem tratados precocemente.

O cancro da pele pode atingir pessoas de todas as idades, sendo mais frequente nos doentes mais velhos. Todavia, as pessoas que estão expostas a grandes quantidades de radiação solar, podem desenvolver cancro tão precocemente quanto os 20/30 anos.

Tudo o que precisas de saber sobre o melanoma!
Carcinoma Espinocelular

Qual a incidência do melanoma?

Os melanomas representam 5% de todos os tumores malignos diagnosticados de novo em homens. A sua incidência tem aumentado, sendo, actualmente, na ordem dos três a oito casos por 100000 habitantes, por ano. Como exemplo desta tendência temos os Estados Unidos da América, onde o risco de um indivíduo desenvolver melanoma invasivo durante a sua vida era de um em 75, em 2010.

E em Portugal?

Observa-se o aumento da incidência dos cancros de pele, os quais, em mais de 90% dos casos, estão relacionados com um passado de exposição exagerada ao sol. Atualmente, estima-se que, em Portugal, a cada ano, a incidência de melanoma seja de oito novos casos por cada 100000 habitantes, ou seja, cerca de 100 novos casos por ano.

Onde pode surgir o melanoma no nosso corpo?

É mais frequente, nas seguintes localizações:

– No sexo masculino: tronco, em particular no segmento superior do dorso;

– No sexo feminino: pernas e segmento superior do dorso;

– Em indivíduos de raças negra e asiática: regiões palmares, plantares, unhas e mucosas.

Quais as causas?

Estima-se que 80% dos cancros de pele sejam originados pela exposição solar intensa. A doença é geralmente desencadeada pela lesão dos constituintes da pele causada pelo sol, principalmente quando ocorrem queimaduras solares (o chamado “escaldão”). Um pequeno número de casos pode estar associado a fatores hereditários. Os solários também podem ser causa de cancro da pele e foto-envelhecimento prematuro cutâneo.

Tudo o que precisas de saber sobre o melanoma!

Fatores de risco: quais?

Vários estudos epidemiológicos mostraram que a exposição ao sol é o principal fator de risco para o aparecimento do melanoma. Por este motivo, as medidas preventivas em relação à exposição ao sol são recomendadas.

Outros fatores de risco passam por…

– Características da pigmentação cutânea (olhos azuis, cabelo loiro, claro ou ruivo, e pele clara);

Resposta à exposição solar (tendência para formar sardas, incapacidade em bronzear, tendência para queimaduras solares);

Grupo sócio-económico superior;

História familiar de melanoma (10 a 15% dos casos);

Nevos prévios;

História prévia de melanoma;

Imunosurpressão.

Quais os sinais de alarme?

Sinal preexistente que muda de cor, tamanho ou forma ou que começa a sangrar;

Aparecimento de feridas, que curam muito lentamente;

– Sinal que se torna anormalmente grande;

“Bolhas de sangue” que apareçam sob as unhas e que não tenham resultado de uma agressão;

– Aparecimento de um sinal novo, principalmente após os 40 anos, que apresente uma forma irregular ou uma cor anormal;

– Aparecimento de comichão ou ardor num sinal preexistente.

Que diferenças entre um nevo normal e o melanoma?

Um nevo normal (ou sinal) tem uma coloração igualmente distribuída de cor castanha, cor de pele ou preto, e pode ser plano ou ligeiramente elevado. Pode ser redondo ou oval. Geralmente, tem uma dimensão inferior a 6 milímetros de diâmetro.

Um nevo pode aparecer durante a infância ou no início da adolescência. Vários nevos podem aparecer ao mesmo tempo, especialmente em áreas da pele expostas ao sol. Os nevos permanecem do mesmo tamanho, forma e cor ao longo de muitos anos, por vezes, desaparecendo em indivíduos idosos.

A maioria das pessoas tem nevos e grande parte deles são inofensivos, mas é extremamente importante reconhecer mudanças em nevos sugestivos de desenvolvimento de melanoma.

Regra ABCDE

A regra ABCDE pode ajudar a distinguir um nevo normal de um (suspeito) melanoma.

– A de Assimetria: metade do nevo diferente da outra metade;

– B de Bordos: os bordos do nevo são irregulares, nodulados e recortados;

– C de Cor: a cor do nevo não é uniforme. Pode haver diferentes tonalidades de castanho, preto e, por vezes, vermelho;

– D de Diâmetro: o diâmetro do nevo é maior que 6 milímetros;

– E de Evolução: estar atento a diferenças no sinal em si. Está diferente? Está maior? Alterou de cor?

Tanto o doente, ao fazer o auto-exame, como o médico que realiza o exame físico objetivo, têm de estar atentos, pois existem melanomas que não seguem as regras do ABCDE descritas anteriormente. Alguns dos sinais e sintomas importantes adicionais são:

– Rápido aumento de volume e/ou expansão;

– Reforço da pigmentação;

– Características da superfície, erosões e exsudados sanguinolento;

– Reação inflamatória, dor ou prurido.

NOTA IMPORTANTE: uma lesão suspeita deve ser sempre vista por um médico dermatologista, preferencialmente.

Como se desenvolve o melanoma?

O melanoma tem potencial para metastizar (disseminar-se, à distância, a outras parte do corpo) rapidamente. Se o tumor crescer em profundidade, e penetrar nos vasos sanguíneos e/ou linfáticos, pode provocar a morte em alguns meses ou poucos anos. A evolução varia muito de pessoa para pessoa e parece estar dependente da profundidade que o crescimento do tumor atingiu das defesas do sistema imunitário e ainda outros fatores.

Existe alguma forma de tratamento?

O tratamento do melanoma é cirúrgico. Tem de ser totalmente removido e com margens de segurança confirmadas pelo exame histológico (dos tecidos) da pele operada.

Se o tumor não tiver metastizado, e se se proceder à sua remoção cirúrgica, a cura aproxima-se dos 100% dos melanomas “finos”. No entanto, é preciso salientar que estas pessoas necessitam de controlos periódicos, pois correm o risco de desenvolver outros melanomas.

Melanomas com metástases

Neste tipo de melanomas. podemos ainda recorrer a:

Quimioterapia (uso de medicamentos para destruir as células cancerígenas);

Imunoterapia (uso de medicamentos que aumentam a resposta imunológica contra as células tumorais);

Radioterapia (uso de radiações em doses elevadas e de alta energia para destruir as células cancerígenas).

No entanto, os resultados obtidos, nestes casos, têm baixo índice de cura.

Espero que tenhas aprendido algumas coisas sobre o melanoma e percebido a importância de uma exposição solar protegida, sendo na praia ou durante o dia, durante um passeio ou até mesmo durante os dias de Inverno. Mais, mesmo o sol não estando presente, há radiação que passa as nuvens e atinge a tua pele, levando a que, mais tarde, haja problemas.

E tu? Costumas olhar para os teus sinais?

Ricardo Rodrigues

Farmacêutico, pós-graduado em Dermatocosmetologia, autor do blogue "O Pinguim Sem Asas" e natural da cidade do Porto. Um apaixonado por cosméticos que acredita que toda a gente tem potencial para ter uma pele incrível e saudável!

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