As mães também choram

Falar sobre maternidade é, frequentemente, sinónimo de abordar os aspetos positivos que ela nos traz. Mas muitas vezes, o sorriso de uma mãe está carregado de dor, medo ou cansaço…

Quando se fala em ser mãe, em cuidar de um filho, em estar presente na sua vida e viver intensamente cada fase, é comum que se abordem os aspetos positivos. O amor que as mães sentem pelos seus, o carinho, a vontade de dar mais de si, de melhorar, de se superarem, de serem capazes de tudo e mais alguma coisa esconde, por vezes, lágrimas que nunca caíram.

Mas, as mães também choram. Seja por cansaço, por medo ou por dor. Seja por stress, dúvidas ou dificuldade. As mães não perdem os seus sentimentos enquanto ser humano quando se tornam mais. Antes pelo contrário, muitas vezes, vivem com todos os sentimentos à flor da pele e de forma tão intensa que nem tempo têm para chorar.

Mas, chorar de vez em quando nunca fez mal a ninguém. E, as mães também precisam de chorar. A vontade de querer estar sempre presente, de nunca falhar aos seus, a vontade de manter uma vida profissional ativa, a vida social, os cuidados pessoais são coisas por si só suficientemente desgastante e que, a dificuldade em conciliar cada uma delas pode dar muita vontade de chorar.

Os dias não são todos iguais. E aquele dia, aquele em que o trabalho não correu tão bem e as birras foram mais intensas do que o habitual chegou. E a vontade daquela mãe de parar tudo, de se aninhar a um canto a chorar apareceu. Mas ela não pode parar. Tem crianças para deitar, acarinhar e ainda contar a história antes de adormecerem. Tem um novo dia para preparar… Mas a sua vontade é apenas chorar.

E assim, se vão acumulando alguns dias em que o choro é substituído por tarefas, compromissos e aquela vontade de fazer mais e melhor.

Até ao dia em que aquela mãe não aguenta mais e ela começa a chorar.

Porque as mães também choram. As mães têm sentimentos, e por vezes, são elas que precisam de cuidados. De tantos como os seus próprios filhos, de colo e aconchego e de alguém que lhes relembre que a história terá um final feliz.

Por isso, se alguma vez sentiste vontade de chorar, não te sintas culpada. Chora sempre e tudo o que te apetecer. Chorar pode não resolver, mas com certeza será o primeiro passo para seres capaz de te reerguer. E se chorar não for suficiente, procura ajuda. Conversa com um amigo ou abre o teu coração com o teu médico. Não tenhas receio de te exprimir.

Vai com força! Tudo passa! E, no final, tudo dará certo.

Luísa Felgueiras

Mãe de dois, o Gabriel e a Estrela. Terapeuta Ocupacional de profissão, com exercício e formação nas áreas da pediatria e saúde mental. Blogger nos tempos livres, autora do Blog da mamã Lu. A escrita faz parte da sua vida desde que lhe deram um diário e um lápis para a mão.

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