Que ácidos podes utilizar na pele?

A ideia de utilizar ácidos na pele pode gerar receio, mas a Blogazine explica-te o que precisas de saber!

Muitas pessoas, por não terem um vasto conhecimento na área, encara a ideia de aplicar ácidos na pele com bastante insegurança e medo. No entanto, e para quem usa cuidados cosméticos há algum tempo, com ácidos na sua composição, sabe que eles podem garantir uma série de benefícios à pele quando administrados corretamente.

Que ácidos podes utilizar na pele?

Com o poder de renovar e tratar manchas e rugas, os ácidos proporcionam uma pele mais fina, lisa e luminosa. Mais importante que aprenderes e ficares a saber as vantagens da utilização destes ativos, é importante entenderes o que são e quais as diferenças entre três grandes grupos: os alfa-hidroxiácidos (AHA), os beta-hidroxiácidos (BHA) e os poli-hidroxiácidos (PHA).

Tens algum problema na pele? Então opta pelos AHA!

Os AHA, assim como os restantes, são derivados de fontes como frutas e cereais. Este grupo de hidroxiácidos possui diversas finalidades e ações na pele, nomeadamente, ação esfoliante, diminuindo a coesão entre as células, e permitindo o efeito de renovação celular. Desta forma, há uma renovação das camadas mais superficiais da pele, o que causa um “estímulo secundário” para a produção de uma pele “nova”.

Que ácidos podes utilizar na pele?

Exemplos: ácido glicólico (o mais conhecido), ácido láctico, ácido málico.

Se tens pele oleosa, investe nos BHA!

Existe apenas um BHA (e um dos ácidos “mais conhecidos”, seguramente) – o ácido salicílico – e é indicado para tratar a pele oleosa com tendência acneica.

Com propriedades esfoliantes e seborreguladoras, ajuda a diminuir o espessamento da pele, evita a contaminação de bactérias e fungos e promove a renovação celular, retirando as células mortas e o excesso de oleosidade. Além disso, é um ótimo anti-inflamatório para tratar borbulhas “internas”, e pode ser utilizado sozinho ou combinado com os AHA.

Mas atenção! Nunca deves utilizar qualquer tipo de ácido caso tenhas acne inflamatória ou mista!

Quais as diferenças entre AHA e BHA?

Ambos melhoram a hidratação da pele, reduzem rugas, estimulam a produção de colagénio e ajudam a que o tom de pele seja mais regular, Mais: ajudam a que os produtos usados a seguir sejam melhor absorvidos.

Assim:

– Os AHA são solúveis em água, enquanto os BHA solúveis em óleo;

– Os AHA são mais adequados para esfoliar a pele normal ou seca ou com manchas. Os BHA são mais adequados para quem tem poros dilatados, pele com tendência acneica e pontos negros. No entanto, nada impede que uma pele oleosa utilize AHA.

Tens a pele sensível? Utiliza os PHA!

Estes ácidos são utilizados na cosmética, pois permitem um menor potencial irritativo ao ser libertado na pele de forma mais lenta. Por terem um maior tamanho molecular que os AHA, agem apenas na superfície da pele. Para além disso, promovem uma ação hidratante, esfoliante e antioxidante, podendo até ser usados para o tratamento de pele com rosácea.

Que ácidos podes utilizar na pele?

Exemplos: ácido lactobiónico, gluconolactona.

Qual a frequência de utilização?

Independentemente do tipo, o melhor é introduzi-los gradualmente na tua rotina, começando por uma ou duas vezes por semana.

Qual a razão? Eles removem a camada superior da pele. Desta forma, esta pode ficar mais sensível à radiação solar. Um produto que deves usar concomitantemente com os AHA, BHA ou PHA é o protetor solar.

Dicas para a correta utilização de ácidos na tua pele

Conhecer o teu tipo de pele e saber em que estado a mesma está, para te ser “mais fácil” decidir qual o tipo de ácidos que vais utilizar;

Perceber o que pretendes: diminuir rugas e tez mais regular ou se também queres controlar a oleosidade;

– Começar com concentrações baixas e frequência de utilização igualmente baixa. Começa por utilizar duas a três vezes por semana. Analisa o estado da tua pele. Se ela “aguentar”, então podes começar a aumentar a frequência de aplicação, por exemplo, em dias alternados. E assim por diante;

– Se a tua pele descamar bastante ou surgir vermelhidão e rubor, é sinal que estás a usar concentrações demasiado altas para a tua pele OU estás a usar muitos dias seguidos. Conselho: diminuir concentração e/ou espaçar as aplicações;

– Utilizar OBRIGATORIAMENTE protetor solar. Hoje em dia, existem fórmulas bem fluídas, pelo que não há aquele problema de “ser complicado de espalhar”. Procura um protetor solar de elevada proteção (SPF50+) e com uma textura que vá de encontro ao que gostas;

Lava as mãos antes e depois de aplicar este tipo de produtos. Evita que restos de produtos sejam “arrastados” para passos posteriores na tua rotina de cuidados de pele;

Qual a melhor altura para aplicar? À noite, onde não irá haver radiação solar e é à noite que há uma maior atividade celular, ou seja, uma maior renovação das células da pele, pelo que, enquanto dormes, os produtos fazem o efeito pretendido.

– No dia em que usas este tipo de ácidos na pele, não utilizes vitamina C ou outros compostos que baixem o pH da tua pele. Caso contrário, irá aumentar o risco de ficares com a tua pele mais sensibilizada e reativa;

Evita a zona do contorno de olhos.

Se quiseres iniciar uma rotina mais virada para o anti-envelhecimento ou controlar a oleosidade da tua pele, tens, nos ácidos, excelentes aliados para essa tua missão. É uma questão de saber escolher.

E por aí? Já te sentes mais seguro com a utilização de ácidos na pele?

Ricardo Rodrigues

Farmacêutico, pós-graduado em Dermatocosmetologia, autor do blogue "O Pinguim Sem Asas" e natural da cidade do Porto. Um apaixonado por cosméticos que acredita que toda a gente tem potencial para ter uma pele incrível e saudável!

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