Como estimular a criatividade?

O novo mundo do trabalho que estamos a conhecer e que será também o dos nossos filhos exige que cada um de nós seja criativo, pró-activo e que consigamos resolver os problemas de forma original e eficiente. Mas como estimular a criatividade? 

A criatividade é inata em nós, ela está presente e é desenvolvida desde o momento em que nascemos. Mas porque é que muitos de nós não conseguimos ser criativos em adultos? Porque na infância essa criatividade foi-nos castrada de alguma forma e não foi desenvolvida.

É por isso importante que na infância nos seja permitido ser criança e que nos dêem ferramentas para que a desenvolvamos na sua plenitude. Algumas crianças desenvolverão a sua criatividade pelas artes plásticas, outras pela música, outras pela escrita e até poderá ser desenvolvida através do exercício físico.

Neste sentido é importante ler cada criança, permitir que experimente todas as possibilidades de expressão e deixar que cada uma nos mostre a área para a qual tem mais apetência. Essa deve ser sempre respeitada, sem que as restantes deixem de ser estimuladas.

A melhor forma de estimular a criatividade e de observar a criança para a “ler” é deixar que brinque, que brinque livremente. E brincar livremente implica que a criança experimente e se arrisque, que vá mais além e que conheça os seus limites. O adulto deve ser apenas um guia, um orientador e não deve interferir em demasia na brincadeira. 

Castrar também não é permitido por isso brinquedos de meninas e brinquedos de meninos não existem. Obrigar a criança a fazer tarefas para as quais não está preparada também a limita e faz com que se sinta incapaz. Interferir nas suas escolhas e não permitir que as faça de forma livre e consciente é também castrador e por isso não vale. E por fim descer ao nível da criança: ser também criança e permitir-se brincar é uma habilidade que faz com que consigamos compreendê-la, olhar na sua perspectiva e estimular também a nossa criatividade. 

Um exemplo prático: quando a criança vai brincar muitas vezes escolhe como “brinquedo” objetos improváveis como caixas ou molas da roupa. Tendencialmente o adulto diz: “não mexas e não desarrumes, tens tantos brinquedos não precisas de brincar com isto”. Esquece-se o adulto que muitos brinquedos limitam a criatividade estando demasiado associados a uma determinada atividade/brincadeira e objetos neutros como os referidos acima permitem uma infinidade de brincadeiras: podem ser tambores, animais, garagens e castelos. Assim devemos, com responsabilidade e consciência, deixar que a criança brinque com objetos comuns do dia a dia, quer em jogo simbólico, quer numa brincadeira que faça sentido para ela. 

É importante concluir que uma criança criativa é uma criança livre. Estes dois conceitos estão intimamente ligados: ao respeitarmos a criança, as suas escolhas, permitindo que as faça de forma livre  contribuímos em grande escala para o desenvolvimento saudável da criatividade.

Patrícia Paulo

Educadora de Infância e Mãe de dois. Alia a experiência à formação e partilha o seu conhecimento com pais e profissionais. Utiliza a escrita como forma de os ajudar a tomar decisões e executar ações conscientes e informadas no âmbito da educação. Autora da página Le Petit Vi

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